Ontem à noite, não fiz mais nada a não ser pensar. Nos escassos momentos em que me consegui desligar do óbvio-not-so-obvious cheguei a algumas conclusões de extrema importância para a minha humanidadezinha! Ainda assim, houve uma que me deu mais que pensar... Sempre achei que há uma música para cada ocasião, para cada pessoa, para cada estado de espírito... Sempre tive sons para as chamadas emergências, letras que traduzem na perfeição o que sinto no momento e que põem preto no branco o que na altura não consigo admitir nem a mim mesmo, melodias que me fazem sorrir a qualquer custo. Tudo isto é verdade. Mas apenas para o bem. Quando me decreto em estado de emergência nem sequer sou capaz de escolher um disco para ouvir, quanto mais uma música uma que me faça sentir melhor... Confirmei ontem a regra. Cheguei à conclusão que a agitação mental é de tal ordem que mesmo que ponha um disco a tocar nem sequer o Jason Mraz. O barulho é muito. E o silêncio acaba por ser o melhor remédio. Não me incomoda, nem dou por ele. Aquela sensação de que há músicas que têm o poder de nos fazer reagir no matter what, é um false friend. Já desisti de a querer pôr em prática à força. É que para além de eu não ficar a sentir-me melhor, acabo por estragar a música... cada vez que a ouvir mais tarde, vou associá-la sempre à crise de ontem, anteontem, ou a outra qualquer. E não quero isso. it's no good.O tempo tem aquele feitio curioso de passar mais devagar quando queremos que ele passe mais depressa. E essa velocidade subjetiva é tanto mais relevantes quanto mais sozinhos ou mais distantes estamos. Por vezes, essa distancia pode consistir em nada mais do que olhar pela janela, procurando descobrir padrões na observação desapaixonada das idas e vindas do quotidiano, dos carros que param e arrancam nos semáforos, das pessoas que atravessam a rua, os prédios altos um colado sobre os outros, os metrôs tão eficientes tão cheios de gente alias gente aqui não falta gente de todo tipo de todas as caras. Mas, mais tarde ou mais cedo, consoante à subjetividade do momento, voltamos a estar sozinhos conosco próprios no que, no fundo, somos nos o lugar estranho. E um lugar será sempre tanto mais estranho quanto mais sozinhos estivermos.
Por. Dblik
Nenhum comentário:
Postar um comentário